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Volume II-Coleção Pequenos Silêncios
As Partes Que Despertam Devagar
Fragmento 1
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Os desejos que acordam tímidos
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Em meio a esse processo silencioso de voltar a si, o desejo reaparece.
Não o desejo grandioso, cheio de planos e brilho.
Falo daquele desejo miúdo, quase envergonhado, que surge como quem pede licença.
Ele não chega fazendo promessas.
Não traz euforia.
Não inaugura capítulos épicos.
Ele só aparece.
E, quando aparece, a pessoa se assusta um pouco.
Porque desejar implica risco: o risco de não conseguir, de se frustrar, de abrir espaço para algo novo.
É comum que o retorno do desejo venha acompanhado de insegurança.
A pessoa tenta nomear:
“Não sei se quero, não sei se posso, não sei se tenho direito.”
E isso não significa fraqueza.
Significa que o desejo está voltando do jeito mais legítimo possível: com prudência.
Fragmento 2
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O que a esperança faz quando amadurece
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A esperança adulta não é ingênua.
Ela convive com limites. Reconhece o que dói, sem negar. E sabe que nada se reorganiza sem tempo e sem tropeços.
Talvez por isso ela seja tão sólida, porque não se apoia em fantasia, mas em realidade emocional.
E a realidade, quando não é distorcida, permite respirar melhor.
A pessoa não passa a acreditar que “vai dar tudo certo”.
Ela começa a acreditar que pode tentar — e isso já muda muita coisa.
Transformar o impossível em possível não exige força.
Exige espaço.
Essa esperança não pede pressa.
Não exige que o mundo acompanhe seu ritmo.
Ela só pede que a pessoa esteja presente o suficiente para perceber que não está mais no mesmo lugar de antes.
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