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Volume 1-Coleção Pequenos Silêncios
As Partes Que Você Deixou ParaTrás
Fragmento 1
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O elogio que cansa
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Algumas pessoas carregam elogios como quem carrega malas: com um certo orgulho por tê-las recebido, e um certo peso por não poder deixá-las em nenhum lugar.
“Você é tão forte.”
“Você sempre dá conta.”
“Eu não sei como você consegue.”
De fora, parece reconhecimento. Por dentro, às vezes, soa como contrato.
É difícil recusar esses gestos de admiração, porque eles chegam embalados em afeto — ou, pelo menos, na forma que o outro acredita ser afeto.
Sem perceber, você passa a viver dentro da imagem que criaram.
E o elogio, que era leve, vai virando obrigação.
Fragmento 2
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Talvez não seja preguiça, nem fraqueza
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Existe um momento em que o corpo diminui o passo e você sente que não dá para seguir no mesmo ritmo.
A primeira reação costuma ser culpa.
“Será que estou relaxando demais?”
“Será que perdi a disciplina?”
Mas, quando você se observa com um pouco mais de honestidade, percebe que não é isso.
O cansaço que chegou agora não tem a textura da preguiça.
Nem se parece com aquela moleza de quem só quer adiar obrigações.
É outro tipo de queda.
Mais funda.